O AMOR DIFÍCIL DE AOD

A expressão “o amor difícil de Aod” é uma chave poética que Matheus Guménin Barreto insere para tensionar a cena bíblica. No texto original de Juízes 3, Aod (Ehud) mata o rei Eglon com um golpe brutal; não há qualquer menção a “amor”. O poeta, porém, reinterpreta o gesto, deslocando-o do campo da pura violência para o campo da ambiguidade afetiva.

Possíveis sentidos

  • Amor como libertação política O ato de Aod pode ser visto como “amor difícil” porque é um gesto de libertar Israel da opressão moabita. É amor pelo povo, mas realizado através da violência — daí a dificuldade.

  • Amor paradoxal O assassinato é descrito com imagens de vísceras e sangue, mas o poema insiste em chamá-lo de amor. Isso cria um paradoxo: o amor que se manifesta em formas duras, cruéis, contraditórias. “Difícil” porque não se encaixa na ideia de amor suave ou romântico.

  • Amor como força inevitável No final do poema, “o amor sempre encontra seu caminho”. O verso sobre Aod antecipa isso: mesmo em um ato de morte, o amor se infiltra. É difícil porque se dá em meio à escuridão, ao grotesco, ao crepúsculo oleoso.

Em resumo

“O amor difícil de Aod” significa que o gesto de matar Eglon, embora violento, é reinterpretado como uma forma de amor — um amor duro, paradoxal, que se realiza através da destruição. Barreto sugere que o amor não é apenas ternura, mas também pode se manifestar em atos extremos, contraditórios, e por isso é “difícil”.

Copilot