DADAÍSMO & MÚSICA ELETRÔNICA
MOVIMENTO DADA E A GÊNESE DA MÚSICA ELETRÔNICA
Movimento original: Dada / Dadaísmo
Tipo de literatura/Arte: Vanguarda Europeia (Interdisciplinar)
Corrente/Filosofia: Anti-arte, Niilismo, Irracionalismo e Ruptura Estética
O movimento Dada, surgido em 1916 no Cabaret Voltaire em Zurique, não foi apenas uma revolta contra a lógica burguesa e os horrores da Primeira Guerra Mundial; foi o laboratório primordial para o que hoje entendemos como música eletrônica e design de som experimental. Liderado por figuras como Hugo Ball, Tristan Tzara e Marcel Duchamp, o Dadaísmo questionou a própria natureza do "objeto artístico".
A relação com a música eletrônica reside na desconstrução. Os dadaístas introduziram o conceito de poesia sonora (Lautgedichte), onde a voz humana era tratada como um instrumento puramente rítmico e abstrato, despojado de significado semântico. Essa abordagem de tratar o som como matéria-prima "bruta" é o alicerce do sampling moderno e da síntese sonora.
Além disso, a técnica do cut-up (recorte), popularizada por Tristan Tzara para a criação de textos aleatórios, é o ancestral direto da colagem sonora e da edição digital em DAWs (Digital Audio Workstations). Ao afirmar que qualquer som cotidiano poderia ser arte — o conceito de ready-made aplicado à audição —, o Dada abriu as portas para o Futurismo de Luigi Russolo e, décadas depois, para a Musique Concrète e o Techno.
O Dadaísmo não buscava criar uma nova harmonia, mas libertar o som de sua obrigação de fazer sentido, permitindo o nascimento da textura eletrônica pura.