DESCONTRUÇÃO VS. NIILISMO

🧩 Desconstrução ou Niilismo? O Mal-entendido da Vertigem

O niilismo, em sentido filosófico — termo que ganhou força com Friedrich Nietzsche —, sugere que não há verdade, fundamento ou sentido objetivo. É a ideia de que nada possui valor estável. Por que, então, a desconstrução de Derrida é tão frequentemente acusada de levar a esse abismo?

1. A Acusação Básica

Muitos críticos afirmam que, se o significado nunca é fixo e a presença nunca é plena, então "nada é verdadeiro" e "tudo vale". Para os defensores de fundamentos sólidos (como a Essência, Deus ou a Razão Universal), mostrar as contradições internas desses conceitos parece uma destruição total da realidade.

2. Derrida não elimina o Sentido

Aqui reside o ponto crucial: Jacques Derrida não diz que a verdade não existe. Ele afirma que ela nunca é totalmente presente ou fechada. Ele desloca o fundamento fixo, mas não elimina a responsabilidade. Pelo contrário, se não há uma Verdade transcendental para nos apoiar, cada decisão torna-se mais grave e pessoal.

3. A Ética da Instabilidade

Em seus textos posteriores, Derrida foca em temas como justiça e hospitalidade. Para ele, a justiça verdadeira é algo "por vir" — nunca plenamente realizada, o que exige de nós uma vigilância crítica e responsabilidade infinita. A desconstrução revela que toda estabilidade é construída e, portanto, toda construção possui fissuras.

📌 Diferença Essencial

Niilismo Desconstrução
Nada tem sentido O sentido nunca é fechado
Nada importa Tudo exige responsabilidade
Ausência total de fundamento Fundamentos são históricos e tensionados
Indiferença Vigilância crítica

🧠 Paradoxo Interessante

Enquanto muitos o acusam de destruir a verdade, Derrida diria que a verdade sempre esteve em tensão. A desconstrução não cria a instabilidade; ela apenas a revela, retirando o véu de uma segurança que nunca foi absoluta.


A verdade sempre esteve em tensão. A desconstrução apenas revela isso.

Gemini