EXEMPLOS PRÁTICOS NO PENSAMENTO DE MARK FISHER
Exemplos Práticos no Pensamento de Mark Fisher
Temas: Cinema, Música e Distopia
Conceito: Manifestações do Realismo Capitalista
Mark Fisher não via a teoria como algo abstrato; ele a encontrava nos objetos culturais que consumimos. Para ele, certas obras capturam perfeitamente a nossa incapacidade de romper com o presente.
1. O Cinema de Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança)
Fisher utiliza o filme Children of Men para ilustrar o realismo capitalista. No filme, o mundo enfrenta a infertilidade total. Para Fisher, isso é uma metáfora da nossa cultura: não conseguimos mais "gerar" o novo. O filme não mostra um mundo totalitário clássico, mas um mundo que apenas "continua", em um estado de declínio permanente e burocrático, onde o fim parece mais próximo que a mudança.
2. A Música e a "Retromania"
Fisher aponta como a música popular parou de soar como o "futuro". Ele contrastava o Jungle e o Post-Punk (que buscavam novos sons) com a música atual, que vive de reciclar décadas passadas. Para ele, bandas contemporâneas que imitam o som dos anos 70 ou 80 são exemplos de Hauntology: a incapacidade de criar uma sonoridade que pertença verdadeiramente ao século XXI.
3. WALL-E e a Ironia do Consumo
Fisher analisa como filmes como WALL-E praticam uma "anticapitalização" irônica. O filme critica o consumismo e a destruição ambiental, mas nós o consumimos através de grandes corporações (Disney). Para Fisher, isso acalma nossa consciência: o filme "faz a crítica por nós", permitindo que continuemos a consumir sem culpa, pois a crítica já está integrada na mercadoria.
| Obra/Exemplo | Sinal de Realismo Capitalista |
|---|---|
| Filhos da Esperança | A sensação de que a história chegou ao fim e nada novo pode nascer. |
| Supernanny / Reality Shows | A redução de problemas sociais a questões de disciplina individual. |
| Kurt Cobain | A incorporação da rebeldia pelo mercado; o impasse da autenticidade. |
Esses exemplos mostram que o Realismo Capitalista não opera por repressão direta, mas por absorção: ele transforma toda forma de protesto ou inovação em um produto disponível na prateleira, esvaziando seu potencial de mudança real.
A cultura pós-moderna é assombrada por futuros que nunca chegaram a acontecer.