HORATIO

HORATIO: O TESTEMUNHO DA RAZÃO E O PARADOXO DO SOBRENATURAL

Autor original: William Shakespeare

Tipo de literatura: Tragédia Elizabetana (Teatro)

Corrente/Filosofia: Humanismo Renascentista / Racionalismo em Crise

Na densa trama de HAMLET, Horatio ocupa um lugar singular. Ele não é apenas o melhor amigo do príncipe da Dinamarca, mas a personificação do ideal estoico em um ambiente governado pela paixão e pela traição. No entanto, sua "razão" é colocada à prova logo no primeiro ato. Como um estudioso vindo da Universidade de Wittenberg — reduto do pensamento humanista e lógico —, Horatio é inicialmente o cético que descarta o sobrenatural como uma "fantasia".

A grande contradição do personagem reside justamente no momento em que ele confronta o Fantasma. Ao ver a aparição com seus próprios olhos, a racionalidade de Horatio é fraturada. Shakespeare utiliza Horatio como uma ferramenta dramática de validação: se o homem mais lógico da peça acredita no espectro, o público também deve acreditar. Contudo, isso cria um paradoxo: Horatio passa a agir com base em um evento que desafia todas as leis naturais que ele estudou. Ele se torna o "racionalista que aceita o impossível", guiando Hamlet por um caminho que a pura lógica deveria condenar.

Em termos de ação, Horatio é o "guardião da narrativa". Embora sua mente tenha sido abalada pela visão fantasmagórica, ele recupera seu equilíbrio para atuar como o confidente leal. Ele é a única pessoa em quem Hamlet confia plenamente. Ao fim da tragédia, ele é o único sobrevivente do núcleo principal, impedido por um Hamlet moribundo de cometer suicídio. Sua função final é converter o caos irracional de Elsinore em uma narrativa lógica e histórica para o mundo.

Atributo de Horatio O Paradoxal / Irracional
Ceticismo de Wittenberg É o primeiro a tentar falar com o Fantasma (um ato de fé).
Estabilidade Estoica Quase cede ao impulso suicida "romano" no fim da peça.
Voz da Lógica Valida uma vingança movida por uma voz do além.

Há mais coisas no céu e na terra, Horatio, do que sonha a tua filosofia — e a tua própria presença no baluarte é a prova de que a razão tem limites diante do mistério.

Gemini