KURT SCHWITTERS

KURT SCHWITTERS E A ESTÉTICA MERZ

Autor original: Kurt Hermann Eduard Karl Julius Schwitters

Tipo de literatura/Arte: Colagem, Escultura, Pintura e Poesia Sonora

Corrente/Filosofia: Dadaísmo / Merz (Vanguarda Individual)

Kurt Schwitters foi uma figura central, porém independente, das vanguardas europeias. Rejeitado pelo núcleo purista do Dadaísmo de Berlim por seu teor "apolítico", ele fundou seu próprio movimento em Hanôver, batizado de Merz — um fragmento da palavra alemã Kommerz (comércio), extraído de um de seus panfletos colados. Para Schwitters, a arte não deveria ser feita apenas de materiais nobres, mas de detritos, passagens de bonde, arames e pedaços de madeira encontrados nas ruas.

Sua obra máxima, o Merzbau, foi uma estrutura arquitetônica em constante mutação dentro de sua própria casa, fundindo escultura e moradia em uma colagem tridimensional. Na literatura e no som, Schwitters revolucionou a percepção auditiva com a Ursonate (Sonata Primitiva), um poema fonético de 40 minutos que substitui palavras por fonemas abstratos, antecipando em décadas o minimalismo e a exploração vocal da música eletrônica experimental.

Diferente de outros dadaístas que buscavam o choque pelo choque, Schwitters buscava a harmonia através do caos. Ele acreditava que a destruição dos significados tradicionais permitia que os objetos e sons fossem reorganizados em uma nova ordem espiritual e estética, onde o lixo da sociedade industrial se tornava a matéria-prima para a eternidade artística.

Obra Principal Impacto Cultural
Ursonate Pioneirismo na poesia sonora e abstração vocal.
Merzbau Precursor da arte de instalação e arquitetura orgânica.
Merzbilder Consolidação da colagem como linguagem artística autônoma.

Para Schwitters, a arte era o ato de libertar as coisas de suas utilidades mundanas para que pudessem finalmente existir como pura forma e som.

Gemini