O BELO NA GRÉCIA ANTIGA
A Evolução do Belo na Grécia Antiga
Para os antigos gregos, a beleza não era apenas uma questão de estética visual, mas uma manifestação de ordem, harmonia e, frequentemente, de virtude moral. O conceito de Kalon (o belo) transcendia o que os olhos podiam ver, alcançando a proporção matemática e a excelência da alma.
O Período Arcaico e a Ordem
Nos séculos VII e VI a.C., a beleza estava intrinsecamente ligada à Symmetria. Autores como Homero e os primeiros filósofos pré-socráticos viam no universo um Cosmos — um sistema ordenado. A beleza era a expressão dessa ordem divina. Na escultura, os Kouros apresentavam uma rigidez que buscava capturar a eternidade, antes da obsessão pelo naturalismo.
O Período Clássico: Equilíbrio e Razão
Com Policleto e Fídias (Século V a.C.), a estética grega atingiu seu ápice através do equilíbrio entre tensão e repouso. A beleza passou a ser uma questão de números. Acreditava-se que o corpo humano ideal seguia proporções matemáticas rigorosas, onde cada parte deveria estar em harmonia com o todo.
"A beleza consiste na proporção não dos elementos, mas das partes, isto é, de um dedo em relação a outro dedo, de todos os dedos em relação à palma e ao pulso, e destes em relação ao antebraço." — Policleto, em seu tratado perdido, o Canon.
O Helenismo e a Expressão
Nos séculos seguintes, a serenidade clássica deu lugar ao Pathos. A beleza não era mais apenas harmonia estática, mas a capacidade de expressar emoções profundas, sofrimento e movimento. A arte helenística (séculos III a I a.C.) rompeu com a rigidez para explorar o realismo dramático, mantendo, porém, o domínio técnico sobre a forma.
A beleza grega sobreviveu aos séculos como um padrão de perfeição que ainda orienta nossa percepção do que é esteticamente valioso.
Gemini