O ESTRUTURALISMO NA EDUCAÇÃO
O Estruturalismo na Educação: Da Gênese ao Cenário Brasileiro
O Estruturalismo não nasceu como uma teoria pedagógica, mas como um método de análise nas ciências humanas que revolucionou a forma como compreendemos a organização do conhecimento. No campo do ensino-aprendizagem, ele propõe que o conhecimento não deve ser transmitido como fatos isolados, mas como parte de um sistema onde cada elemento ganha sentido através de sua relação com o todo.
Origem e Fundamentos Teóricos
Embora tenha raízes na linguística de Ferdinand de Saussure, foi com Claude Lévi-Strauss (nome original: Claude Lévi-Strauss), antropólogo francês e principal expoente da Antropologia Estrutural, que o movimento ganhou corpo. Na educação, essa corrente se alinha ao pensamento de que aprender é descobrir as estruturas lógicas que subjazem aos conteúdos.
Nesta ótica, o foco recai sobre:
- ● A primazia do sistema: O todo é maior que a soma das partes.
- ● A busca por leis universais: Identificar padrões de funcionamento da mente humana.
- ● Sincronia: A análise do estado atual do conhecimento em vez de sua evolução histórica isolada.
A Chegada ao Brasil
O estruturalismo chegou com força ao Brasil entre as décadas de 1960 e 1970, influenciando diversas áreas. Na educação, sua recepção foi marcada por uma tentativa de modernização do ensino, especialmente na matemática e na linguística. O movimento da Matemática Moderna é um exemplo claro: buscava-se ensinar a estrutura dos conjuntos e a lógica matemática antes mesmo das operações aritméticas básicas.
Intelectuais brasileiros utilizaram as ferramentas estruturalistas para analisar a cultura e a literatura nacional, o que acabou por refletir nos currículos escolares, priorizando a análise textual e a gramática estrutural em detrimento da mera memorização filológica.
Uso Atual e Legado
Hoje, o estruturalismo "puro" é menos comum, tendo sido amplamente absorvido e criticado pelo pós-estruturalismo e pelo construtivismo. No entanto, sua herança permanece viva na interdisciplinaridade. A ideia de que as disciplinas devem conversar entre si para formar uma estrutura de pensamento coerente é um pilar estruturalista que fundamenta a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Em suma, o estruturalismo nos ensinou que para ensinar um conceito, é preciso, antes de tudo, apresentar o mapa onde esse conceito habita.