THOUGHT PROCESS ACTING
O termo "thought process acting" não designa uma escola formal como o Método, mas é uma expressão usada por atores, professores de interpretação e críticos para descrever um efeito específico: o espectador tem a sensação de estar assistindo ao pensamento acontecer.
A chave é esta:
O ator não entrega apenas uma fala. Ele encena o caminho até a fala.
Imagine a diferença:
Atuação convencional:
"Não vou voltar para casa."
O personagem já sabe o que pensa.
Thought process acting:
"Eu... não sei. Quer dizer... eu acho que não. Não vou voltar para casa."
Aqui o personagem parece descobrir a conclusão enquanto fala.
O público não vê apenas a resposta; vê o mecanismo mental criando a resposta.
Isso costuma envolver vários recursos:
- •pausas antes de palavras importantes;
- •mudanças de direção na frase;
- •olhar deslocado enquanto o pensamento é "procurado";
- •pequenas correções ("não, espera...");
- •respiração audível;
- •interrupções e retomadas.
A impressão produzida é:
"Não estou recitando um texto.
Estou pensando."
O interessante é que isso não surgiu apenas do Método.
Há uma influência importante de Sanford Meisner, cuja pedagogia enfatizava a reação ao momento presente. Muitos atores passaram a valorizar não apenas o conteúdo da fala, mas o processo interno que a antecede.
Nos melhores casos, o resultado é extraordinário.
Veja alguém como Philip Seymour Hoffman.
Ele frequentemente parecia chegar às palavras por um caminho tortuoso. Mas havia densidade de pensamento por trás disso. As pausas pareciam nascer de conflito interno real.
O mesmo pode ser dito de John Cazale ou, em muitos papéis, de Gene Hackman.
Você sente que algo está sendo elaborado.
Mas aí aparece um problema fascinante.
Muitos atores aprenderam a reproduzir os sinais externos do pensamento sem necessariamente reproduzir sua estrutura.
Eles aprenderam:
- •onde pausar;
- •quando desviar o olhar;
- •como interromper a frase;
- •como parecer vulneráveis.
Então surge algo que alguns críticos chamam, de forma irônica, de "acting thinking" ("atuar pensando") em vez de "thinking while acting" ("pensar enquanto atua").
A diferença é enorme.
No primeiro caso:
O actor faz gestos que significam "estou pensando".
No segundo:
O ator realmente constrói uma linha de pensamento que gera aqueles gestos.
Como espectador, você talvez esteja percebendo exatamente essa diferença.
Por isso certos atores contemporâneos causam desconforto. Não porque hesitem, mas porque a hesitação parece pré-fabricada.
Você sente algo como:
"Você já sabe o que vai dizer.
Então por que está demorando tanto para dizer?"
É uma sensação difícil de explicar, mas muito comum.
Outra coisa interessante é que o cinema contemporâneo valoriza muito a visibilidade do processo psicológico.
Já atores mais antigos frequentemente ocultavam esse processo.
Veja Spencer Tracy ou Burt Lancaster.
Eles muitas vezes pareciam já ter pensado tudo antes de entrar em cena.
A inteligência do personagem era percebida através da clareza da ação.
Hoje há uma tendência maior a mostrar o pensamento em andamento.
Em alguns casos, isso é belíssimo.
Em outros, produz a sensação de que os personagens estão eternamente presos na antecâmara da decisão.
Veja também: O MÉTODO