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Mostrando postagens com o rótulo Linguagem

A PRISÃO DOS NOMES

Há uma distinção fundamental que muitas vezes se perde quando falamos de gênero: sexo, gênero, expressão de gênero e orientação sexual não são a mesma coisa . Biologicamente, a espécie humana é sexualmente dimórfica, organizada reprodutivamente em torno de dois sexos, macho e fêmea, embora existam variações do desenvolvimento sexual. Sobre essa base biológica, porém, cada sociedade constrói diferentes significados para o masculino e o feminino. Esses significados não são imóveis: transformam-se conforme o tempo, o lugar, a cultura e as relações sociais. Basta olhar para a história para perceber isso. Homens já usaram roupas, ornamentos, cabelos, maquiagem e outros elementos que hoje associamos ao feminino; mulheres, por sua vez, exerceram funções e adotaram comportamentos que em outras épocas seriam considerados exclusivamente masculinos. O que uma sociedade chama de masculino ou feminino nunca foi inteiramente determinado pela biologia. Há sempre uma dimensão histórica e cultural ness...

FILOSOFIA DA LINGUAGEM

A filosofia da linguagem é o ramo da filosofia que investiga o que é a linguagem, como ela produz significado e qual é sua relação com o pensamento , a realidade e a comunicação . Embora essas perguntas existam desde a Antiguidade, a disciplina tornou-se central na filosofia dos séculos XIX e XX, chegando a ser chamada por alguns de "a virada linguística" da filosofia. Pode-se organizá-la em torno de algumas perguntas fundamentais. 1. O que significa uma palavra? Esta é talvez a questão mais básica. Quando dizemos "árvore", por exemplo, o que faz essa palavra significar uma árvore? Ao longo da história, surgiram várias respostas: o significado é uma ideia na mente; o significado é o objeto no mundo; o significado depende das relações entre palavras; o significado depende do uso que fazemos delas. Essa última posição ficou célebre em Wittgenstein : "O significado de uma palavra é seu uso na linguagem." Ou seja, compreender uma palavra não é possuir uma def...

IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS NESTE DIÁLOGO

THAÍS O excesso de linguagem produz uma escassez de significado? PONDÉ Com certeza. - Linhas Cruzadas (23/04/2026) Essa é uma pergunta muito mais rica do que parece. A resposta de Luiz Felipe Pondé ("Com certeza") é curta, mas pressupõe toda uma tradição filosófica sobre linguagem, sentido, verdade e cultura. Em apenas duas frases, há pelo menos seis debates filosóficos importantes. 1. A crítica da inflação da linguagem A primeira implicação é a ideia de que quanto mais falamos, menos significamos. Não é uma relação necessária, mas uma hipótese sobre a cultura contemporânea: a linguagem se multiplica enquanto o significado se dilui. Aqui encontramos ecos de: Martin Heidegger , para quem a linguagem cotidiana frequentemente encobre o ser em vez de revelá-lo. George Steiner , que via uma erosão da palavra quando ela deixa de estar comprometida com a verdade. Byung-Chul Han , que distingue informação de sentido: nunca produzimos tantos discursos, opiniões e dados, e talvez nu...

POEMA DE ANTONIO CICERO

Esse poema fica ainda mais interessante quando colocado em contato direto com a tradição filosófica que ele convoca sem nomear. 1. Wittgenstein: apontar não é definir A expressão “definição ostensiva” vem diretamente da fase inicial da filosofia do Ludwig Wittgenstein, especialmente no Tractatus e depois problematizada nas Investigações Filosóficas. Na definição ostensiva, a linguagem tenta fixar significado por gesto e indicação: eu aponto e digo “isso é vermelho”, “isso é cadeira”. Mas Wittgenstein mostra um problema: apontar nunca é neutro. Para entender o gesto, você já precisa saber o jogo de linguagem em que ele funciona. O poema de Antonio Cicero encena exatamente essa falha: ele “aponta” para o cerúleo mas em vez de um objeto, entrega uma série de associações instáveis Ou seja: não há um “isso é cerúleo”, apenas um deslizamento de “parecidos com cerúleo”. 2. Do conceito à rede de semelhanças O que aparece aqui é muito próximo da ideia wittgensteiniana de semelhanças de família...

PSEUDO-DIONÍSIO AREOPAGITA

A linguagem do silêncio Poucas figuras da tradição cristã são tão misteriosas quanto Pseudo-Dionísio Areopagita . Seus textos surgem entre os séculos V e VI, escritos em grego, profundamente influenciados pelo neoplatonismo . Mas o autor escolhe assinar como “Dionísio Areopagita” — nome de um personagem bíblico convertido por Paulo de Tarso no Areópago de Atenas. Mais tarde percebeu-se que os textos não poderiam ter sido escritos pelo verdadeiro Dionísio mencionado em Atos dos Apóstolos . Por isso o “Pseudo”. Ainda assim, durante séculos, sua obra foi lida quase como uma extensão da tradição apostólica. A ideia central Para Pseudo-Dionísio, Deus está além da linguagem. Não apenas além da compreensão humana — além do próprio conceito de “ser”. Assim, toda tentativa de definir Deus falha parcialmente. “Quanto mais alto subimos, menos palavras encontramos.” Ele distingue dois caminhos: Teologia catafática : dizer o que Deus é. Teologia apofática : dizer o que Deus não é. A tradição apof...

WILHELM VON HUMBOLDT

Wilhelm foi filósofo, linguista, teórico da educação e pensador da linguagem. A ideia central dele é que a linguagem não é apenas um instrumento para expressar pensamentos prontos — ela participa da própria formação do pensamento. 1. A linguagem molda o pensamento Para Humboldt, não pensamos primeiro e depois “colocamos em palavras”. Ao contrário: pensar acontece na linguagem. Ou seja, a língua não é um recipiente neutro; ela estrutura a maneira como percebemos e organizamos o mundo. Por isso ele dizia que cada língua contém uma “visão de mundo” ( Weltansicht ). Exemplo: Uma língua não apenas nomeia a realidade — ela recorta a realidade de um certo modo. Isso influenciou depois teorias como a hipótese de Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf , segundo a qual a estrutura da língua influencia a percepção do mundo. 2. A linguagem é criativa, não mecânica Humboldt via a linguagem como atividade viva. Ele distinguia: • ergon = linguagem como produto pronto • energeia = linguagem como ativi...

A FALA PRONTA À ESPREITA

No verso “a fala pronta à espreita” , de Marcus Fabiano Gonçalves, há uma condensação rara: a linguagem aparece simultaneamente como potência , suspensão e ameaça . A fala não é apresentada como algo realizado, mas como algo em estado de iminência. Isso desloca a palavra de sua função comunicativa para uma condição mais profunda: a da linguagem como potência latente . Essa ideia encontra eco em Martin Heidegger. Para Heidegger, a linguagem não é simplesmente um instrumento do sujeito; ela é “a morada do ser” . Ou seja, é pela linguagem que o ser se manifesta. No entanto, antes de se manifestar, ele permanece em velamento. Nesse sentido, a “fala pronta à espreita” pode ser lida como o ser prestes a emergir pela linguagem . O “à espreita” torna-se o lugar da latência ontológica: a palavra ainda não dita contém um ser ainda não revelado. Essa tensão entre presença e não presença também se aproxima de Jacques Derrida. Derrida mostra que a linguagem nunca se dá como presença plena; ela viv...

NADI

A palavra “ Nadi ” (mais comum como “nāḍī”, com acento longo) vem do sânscrito नाडी. Origem e significado Raiz: provavelmente ligada a “nad / nād” (नाद), que significa som, vibração, fluxo sonoro Sufixo: forma feminina que indica algo como canal, tubo, corrente Então, originalmente, nāḍī carrega a ideia de: canal por onde algo flui — especialmente energia, sopro ou vibração Uso nas tradições indianas No yoga, no tantra e na ayurveda, nadis são: ◇ canais sutis do corpo energético ◇ por onde circula o prana (energia vital) Os três principais são: Ida (associado ao lunar, introspectivo), Pingala (solar, ativo) e Sushumna (central, eixo espiritual). Sentido mais profundo Diferente de veias físicas, as nadis são: invisíveis, simbólicas, experienciadas mais como fluxo, respiração, vibração interna. Há algo bonito nisso: o corpo não como matéria sólida, mas como rede de passagens. Uma aproximação com o seu campo poético “nadi” pode ser lida quase como: ◇ um corpo que não é corpo ◇ u...

SOCIOINTERACIONISMO

O Conhecimento nasce no Social O Sociointeracionismo defende que o desenvolvimento intelectual não é apenas um processo de maturação biológica, mas o resultado das interações sociais e culturais. Para Lev Vygotsky , o ser humano se torna humano através da cultura, e o aprendizado é o que impulsiona o desenvolvimento, e não o contrário. A Mediação e a Linguagem Vygotsky argumentava que nossa relação com o mundo não é direta, mas mediada por instrumentos (ferramentas físicas) e signos (ferramentas psicológicas). A linguagem é o sistema de signos mais importante: ela organiza o pensamento e permite que a criança internalize os conhecimentos acumulados pela humanidade. A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) Este é o conceito mais célebre de Vygotsky e define onde o ensino deve atuar. Ele divide o conhecimento em três níveis: ● Nível de Desenvolvimento Real: O que a criança já sabe fazer sozinha. ● Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP): A distância entre o que se faz sozinho e o q...