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PETER WESSEL ZAPFFE

PETER WESSEL ZAPFFE: A CONSCIÊNCIA COMO TRAGÉDIA BIOLÓGICA Peter Wessel Zapffe (1899–1990) foi um filósofo, escritor e jurista norueguês, cujo pensamento é central para o Pessimismo Filosófico e para o antinatalismo moderno. Em seu ensaio seminal, O Último Messias (1933), Zapffe apresenta uma visão radical sobre a evolução humana, descrevendo a consciência não como um triunfo, mas como uma anomalia biológica catastrófica. A Consciência Excedente A tese de Zapffe é fundamentada na ideia de que os seres humanos foram equipados pela evolução com uma "consciência excedente". Ele argumenta que nos tornamos "excessivamente conscientes" para as nossas circunstâncias biológicas: desenvolvemos uma necessidade de justiça, significado e imortalidade que o universo, em sua crueza material e indiferença, não pode satisfazer. Diferente de outros animais, que vivem em harmonia com seus instintos, o homem percebe sua própria finitude e a fragilidade de sua existência. Essa consc...

SHOSHANA ZUBOFF

SHOSHANA ZUBOFF: CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA E A MENTE MODIFICADA Shoshana Zuboff (1951–), professora emérita da Harvard Business School, é a principal teórica do que denomina Capitalismo de Vigilância . Sua obra é uma análise crítica sobre como a experiência humana foi transformada em matéria-prima gratuita para práticas comerciais ocultas de extração, previsão e vendas. O Excedente Comportamental A tese central de Zuboff descreve uma nova ordem económica que reivindica a experiência humana como insumo para a fabricação de previsões. O "excedente comportamental" é o rastro de dados que deixamos (cliques, tempo de tela, localização, batimentos cardíacos) que, processados por inteligência artificial, tornam-se produtos de predição vendidos em "mercados de comportamentos futuros". A Consciência Modificada pelo Algoritmo Para a filósofa, o perigo não reside apenas na perda da privacidade, mas na perda da autonomia da consciência . O algoritmo não apenas observa; ele mol...

CLIFFORD GEERTZ

CLIFFORD GEERTZ E A TRAMA DA CONSCIÊNCIA Clifford James Geertz (1926–2006) foi um influente antropólogo norte-americano, principal expoente da Antropologia Interpretativa (ou Simbólica). Situado dentro da corrente do pós-estruturalismo e do humanismo nas ciências sociais, Geertz revolucionou o campo ao afastar a antropologia da busca por leis universais de comportamento, aproximando-a da semiótica e da hermenêutica. A Cultura como Texto e a Consciência Para Geertz, a consciência não é um fenômeno puramente biológico ou uma entidade isolada dentro da mente individual; ela é intrinsecamente pública e social . Ele defendia que o pensamento humano é um ato fundamentalmente social, realizado por meio de símbolos que são compartilhados por uma comunidade. Em sua obra, a consciência é entendida como a capacidade de operar dentro de um sistema de significados. Geertz utiliza a famosa metáfora de Max Weber para definir o homem como um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo tec...