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Mostrando postagens com o rótulo Arthur Schopenhauer

EQUANIMITY

Equanimity is not the absence of emotion, but the refusal to become governed by it. Across philosophy, psychology, religion, and even sociology, it appears as one of the highest forms of internal freedom: the capacity to remain psychologically coherent while reality continues to fracture, disappoint, provoke, seduce, and wound. The Stoics called it tranquility before what cannot be controlled. In Buddhism , upekkhā became one of the highest states of mind: neither clinging to pleasure nor collapsing before suffering. In Taoism , it emerges through alignment with the movement of existence rather than resistance against it. Spinoza understood something similar when he argued that human beings mistake emotional captivity for freedom. Nietzsche feared ressentiment precisely because unresolved emotion can silently reorganize an entire personality. Even Schopenhauer , deeply pessimistic, saw detachment from compulsive desire as one of the few escapes from endless suffering. Psychology l...

CHOQUE DE REALIDADE

A realidade & o corpo 1. O que as pessoas chamam de “choque de realidade” O que costuma ser chamado de “choque de realidade” quase sempre aparece quando a existência deixa de ser abstrata e volta a ser material: fome, dinheiro, trabalho, doença, sobrevivência, abandono, responsabilidade, morte. É o momento em que ideias, desejos, arte, identidade ou sonhos parecem perder densidade diante da urgência do corpo e das condições concretas da vida. Muitos filósofos falaram disso — embora com conclusões muito diferentes. 2. Marx e a materialidade da existência Karl Marx , por exemplo, entendia que existe uma relação direta entre as condições materiais e aquilo que pensamos. A famosa ideia de que “não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência” aponta justamente para isso: quando as necessidades básicas entram em colapso, o pensamento muda junto. A arte, a moral, a religião e até a filosofia passam a depender das condições concretas de existência. Nesse se...

AMOR EM CAPRIONI

Há alguma alienação do eu lírico neste poema? Não necessariamente — e é muito importante separar duas coisas que, por fora, podem parecer semelhantes: manter viva uma presença interior significativa, e negar a realidade da ausência. São fenômenos muito diferentes. No poema de Giorgio Caproni , o eu lírico não parece negar a ausência. Pelo contrário: ele reconhece que a presença do outro é “oculta”. Essa palavra é decisiva. Quando ele diz: “a tua (mesmo que oculta) presença” ele está admitindo que o outro não está ali de modo concreto. Ele sabe da ausência. O que permanece é outra coisa: a eficácia subjetiva daquela presença. Ou seja: o outro não está mais presente fisicamente, mas continua presente na estrutura emocional e simbólica do sujeito. Isso não é alienação. Alienação seria algo como: “essa pessoa ainda está aqui exatamente como antes”, ou agir como se a perda nunca tivesse ocorrido. Caproni não faz isso. Ele reconhece a falta, mas afirma a permanência do vínculo interior. Isso...

O INCONSCIENTE

🧠 1. O inconsciente Antes de Freud: Leibniz (século XVII) falava de “pequenas percepções” — conteúdos mentais abaixo do limiar da consciência. Kant admitia processos mentais não conscientes, embora não os desenvolvesse diretamente. Schopenhauer foi crucial: via a vontade como força irracional e inconsciente que move o ser humano. Nietzsche também desmonta a ideia de um “eu consciente soberano”, mostrando que somos atravessados por forças que não controlamos. 👉 Ou seja: o terreno já estava preparado. 🧩 2. O que Freud faz de novo Freud não inventa o inconsciente — ele sistematiza e radicaliza . Ele transforma o inconsciente em: um sistema estruturado com leis próprias e efeitos clínicos observáveis Para Freud, o inconsciente é: um reservatório de desejos reprimidos (muitas vezes sexuais ou agressivos) governado por mecanismos como: repressão deslocamento condensação E ele aparece de forma indireta: nos sonhos nos lapsos de linguagem (atos falhos) nos sintomas neuróticos 📌 Ide...

OBJET PETIT A

1. Por que perdemos o interesse quando conseguimos o que queríamos? Há uma experiência comum e, ao mesmo tempo, desconcertante: desejar algo intensamente — uma conquista, uma relação, um objeto — e, ao alcançá-lo, perceber que o interesse diminui ou desaparece. Esse fenômeno não pertence a uma única teoria, mas aparece de forma recorrente em diferentes campos do pensamento humano, da filosofia à psicologia contemporânea. 2. A psicanálise: o desejo como falta Na psicanálise, especialmente na obra de Jacques Lacan, essa dinâmica é central. Para ele, o desejo não se dirige propriamente ao objeto, mas nasce de uma falta estrutural. O que move o sujeito não é o objeto em si, mas aquilo que ele representa: algo que nunca pode ser plenamente satisfeito. Lacan chama de objet petit a aquilo que causa o desejo — não o objeto concreto, mas o que nele escapa, o que promete preencher a falta. Quando o objeto é obtido, ele perde essa função. O desejo, então, se desloca. Em outras palavras: o desejo...

O LIVRE-ARBÍTRIO

O Livre-Arbítrio, de Arthur Schopenhauer Poucos textos são tão desconfortáveis quanto O Livre-Arbítrio . Schopenhauer não escreve para consolar — escreve para retirar o chão. Seu objetivo é simples e brutal: questionar se aquilo que chamamos de “liberdade” realmente existe. O ensaio parte de uma distinção importante: nem toda liberdade é igual. Schopenhauer separa três níveis — físico, intelectual e moral — para mostrar que aquilo que costumamos defender como livre-arbítrio pertence, na verdade, ao campo moral. E é justamente esse que ele desmonta. A tese central é provocativa: não somos livres para escolher o que queremos. Podemos até agir conforme nossa vontade, mas não escolhemos essa vontade. Ela já vem determinada pelo nosso caráter — algo fixo, inato — e pelos motivos que nos atravessam. Ou seja: você faz o que quer, mas não quer o que quer por escolha. Esse deslocamento é o golpe mais forte do livro. Schopenhauer preserva uma aparência de liberdade (agir sem impedimentos), mas n...

O MAL-ESTAR ROMÂNTICO

O Mal-Estar Romântico: Entre o Ideal e a Vacuidade O conceito de mal-estar romântico — ou Mal du Siècle — não é apenas uma melancolia passageira, mas uma condição existencial profunda que surge do abismo entre o desejo infinito do indivíduo e a finitude da realidade. Originalmente associado ao movimento Romântico do século XIX, esse sentimento evoluiu para uma análise complexa da psique contemporânea. Perspectiva Filosófica e Psicológica Filosoficamente, o mal-estar romântico está ligado à busca por um sentido absoluto em um mundo desencantado. Arthur Schopenhauer , filósofo alemão, descreveu a vida como um pêndulo que oscila entre a dor (quando desejamos algo) e o tédio (quando o alcançamos). Psicologicamente, essa condição manifesta-se como uma insatisfação crônica, onde o objeto do amor é menos importante do que o próprio estado de "sentir falta". Dimensão Manifestação Consequência Literatura Escapismo e Idealização O herói trágico Filosofia Angústia Existencial Vontade ...