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Mostrando postagens de setembro, 2026

A PRISÃO DOS NOMES

Há uma distinção fundamental que muitas vezes se perde quando falamos de gênero: sexo, gênero, expressão de gênero e orientação sexual não são a mesma coisa . Biologicamente, a espécie humana é sexualmente dimórfica, organizada reprodutivamente em torno de dois sexos, macho e fêmea, embora existam variações do desenvolvimento sexual. Sobre essa base biológica, porém, cada sociedade constrói diferentes significados para o masculino e o feminino. Esses significados não são imóveis: transformam-se conforme o tempo, o lugar, a cultura e as relações sociais. Basta olhar para a história para perceber isso. Homens já usaram roupas, ornamentos, cabelos, maquiagem e outros elementos que hoje associamos ao feminino; mulheres, por sua vez, exerceram funções e adotaram comportamentos que em outras épocas seriam considerados exclusivamente masculinos. O que uma sociedade chama de masculino ou feminino nunca foi inteiramente determinado pela biologia. Há sempre uma dimensão histórica e cultural ness...

O CRETINO FUNDAMENTAL

O “cretino fundamental” é uma das figuras mais famosas inventadas por Nelson Rodrigues. Não é uma pessoa específica: é um tipo humano, um personagem recorrente das crônicas dele. Para Nelson, o cretino fundamental é, sobretudo, aquele que não consegue reconhecer o óbvio. Ele pode até ter inteligência, informação ou argumentos; o problema é que sua inteligência fica subordinada à convicção, à vaidade ou à necessidade de estar certo. Há uma diferença interessante entre simplesmente ser burro e ser um cretino fundamental: o burro pode não entender; o cretino fundamental entende apenas aquilo que confirma sua posição. E há uma dimensão social nisso. Nelson percebe que o cretino raramente está sozinho: quando um começa a defender uma ideia absurda com suficiente segurança, outros se agrupam em torno dele, transformando a própria repetição em aparência de verdade. O próprio site dedicado a Nelson resume essa figura como um dos “personagens-tipo” recorrentes das crônicas. E por que “fundament...