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O PERIGO DA PUREZA

Quando Luiz Felipe Pondé diz que “quem se identifica com o bem, não merece confiança”, ele está atacando menos a ideia de bondade em si e mais a autoimagem moral das pessoas. A frase tem um tom provocativo típico dele, mas dialoga com uma tradição filosófica antiga: a suspeita de que o ser humano que se vê como “do lado do bem” tende a se tornar cego para a própria violência. A ideia pode ser lida em algumas camadas: quem acredita encarnar o “bem” absoluto passa a achar que suas ações são automaticamente justificadas; a empatia excessivamente performática pode virar vaidade moral; pessoas muito identificadas com uma imagem de pureza tendem a negar seus próprios impulsos agressivos, egoístas ou cruéis; essa negação frequentemente produz fanatismo, julgamento e intolerância. Isso aproxima Pondé de autores como: Friedrich Nietzsche , que desconfiava da moral como máscara de ressentimento; Sigmund Freud , para quem civilização e agressividade convivem o tempo todo; Hannah Arendt , que mos...