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AMOR EM CAPRIONI

Há alguma alienação do eu lírico neste poema? Não necessariamente — e é muito importante separar duas coisas que, por fora, podem parecer semelhantes: manter viva uma presença interior significativa, e negar a realidade da ausência. São fenômenos muito diferentes. No poema de Giorgio Caproni , o eu lírico não parece negar a ausência. Pelo contrário: ele reconhece que a presença do outro é “oculta”. Essa palavra é decisiva. Quando ele diz: “a tua (mesmo que oculta) presença” ele está admitindo que o outro não está ali de modo concreto. Ele sabe da ausência. O que permanece é outra coisa: a eficácia subjetiva daquela presença. Ou seja: o outro não está mais presente fisicamente, mas continua presente na estrutura emocional e simbólica do sujeito. Isso não é alienação. Alienação seria algo como: “essa pessoa ainda está aqui exatamente como antes”, ou agir como se a perda nunca tivesse ocorrido. Caproni não faz isso. Ele reconhece a falta, mas afirma a permanência do vínculo interior. Isso...