Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Filosofia Contemporânea

MÔNADAS INCOMUNICÁVEIS

Essa expressão é muito característica do repertório do psicanalista Pedro de Santi . Embora "mônadas incomunicáveis" remeta diretamente à filosofia de Gottfried Wilhelm Leibniz , Pedro de Santi a emprega num contexto contemporâneo, aproximando-a da crítica das redes sociais, da psicanálise e da cultura digital. Em Leibniz , as mônadas são substâncias indivisíveis que constituem a realidade. Cada mônada é um mundo em si mesma: ela reflete o universo inteiro, mas não mantém contato causal com as outras. Daí a célebre expressão de que as mônadas "não têm janelas". Elas coexistem, mas não se comunicam diretamente. Pedro de Santi parece deslocar essa ideia para descrever a experiência produzida pelos algoritmos. O algoritmo parte do pressuposto de que seus gostos passados definem quem você é. Em vez de colocá-lo diante do estranho, do inesperado, do conflito ou da alteridade, ele o cerca de confirmações . Você passa a habitar um universo em que tudo devolve a sua pr...

IAN MCGILCRIST

McGilchrist é um psiquiatra, pesquisador e ensaísta britânico conhecido por seu trabalho sobre a especialização funcional dos hemisférios cerebrais e suas implicações para a cultura, a filosofia, a arte e a civilização ocidental. Sua trajetória é incomum: primeiro estudou literatura inglesa em Oxford, foi fellow do All Souls College, e só depois formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria. Também realizou pesquisas em neuroimagem e trabalhou no Hospital Maudsley e no Bethlem Royal, em Londres. Ele ficou mundialmente conhecido por defender que os dois hemisférios do cérebro não se distinguem apenas pelas funções populares ("esquerdo lógico, direito criativo"), uma simplificação que ele considera equivocada. Sua tese é mais sutil: o hemisfério esquerdo tende a privilegiar análise, abstração, categorização, linguagem explícita e controle; o hemisfério direito é mais voltado para contexto, relações, percepção do todo, metáfora, experiência vivida e atenção aberta. Seg...

"TUDO É PERFORMANCE"?

Um debate filosófico Recentemente, João Vicente de Castro afirmou: "A gente é uma performance. Não existe uma coisa antes do que a gente é. Não existe um ser que é antes do que a gente faz. Tudo é performance." A frase sintetiza uma concepção bastante difundida em parte da filosofia contemporânea, especialmente entre autores ligados ao pós-estruturalismo e às teorias da performatividade. No entanto, está longe de representar um consenso. Trata-se de uma posição filosófica específica, cercada por importantes concordâncias e críticas. Pensadores que concordariam, ao menos em grande medida Judith Butler talvez seja a principal referência dessa ideia. Em sua teoria da performatividade, especialmente em Gender Trouble (1990), Butler argumenta que o gênero não expressa uma essência anterior, mas é produzido pela repetição de atos, gestos, discursos e práticas sociais. O sujeito não existe plenamente antes dessas performances; ele emerge através delas. Michel Foucault também ofe...