ZOROASTRO
Zoroastro, também conhecido pelo nome iraniano Zaratustra (Zarathustra), foi uma figura religiosa da Antiguidade que está na origem do zoroastrismo, uma das religiões mais antigas ainda praticadas no mundo. Existem comunidades zoroastristas até hoje, sobretudo no Irã e na Índia, além de comunidades espalhadas por outros países.
Quem foi Zoroastro?
Zaratustra teria vivido provavelmente por volta de 1200 a.C., embora não exista consenso entre os estudiosos: algumas hipóteses situam sua vida em épocas bastante diferentes. Tampouco sabemos com segurança onde nasceu ou quais foram os acontecimentos de sua vida.
A tradição religiosa o considera um profeta que recebeu a revelação de Ahura Mazda, o Senhor Sábio, divindade suprema do zoroastrismo. Historicamente, costuma ser entendido como um reformador das antigas crenças iranianas.
Sua importância não está apenas na fundação de uma religião. As ideias atribuídas a ele tratam de questões éticas e filosóficas fundamentais: a verdade, a responsabilidade individual, a escolha entre o bem e o mal e o destino do mundo.
Entre os textos sagrados do zoroastrismo estão as Gatas (Gāthās), um conjunto de hinos antigos tradicionalmente atribuídos ao próprio Zaratustra. São fontes essenciais para tentar compreender seu pensamento, embora sua interpretação e datação também envolvam dificuldades acadêmicas.
O que ensina o zoroastrismo?
Há três ideias especialmente importantes nessa tradição:
- Ahura Mazda: a divindade suprema, associada à sabedoria, à verdade e à ordem.
- A escolha moral: cada pessoa tem responsabilidade por suas escolhas entre a verdade e a mentira, o bem e o mal.
- A renovação do mundo: o mal não é considerado o destino definitivo da existência; a tradição prevê sua derrota final e a restauração do mundo.
Uma fórmula ética tradicional resume parte desse pensamento: bons pensamentos, boas palavras e boas ações.
Uma observação interessante: os zoroastristas não são propriamente adoradores do fogo. O fogo tem um papel sagrado nos rituais porque representa a luz, a pureza e a presença simbólica do divino.
Onde vivem os zoroastristas atualmente?
1. Irã
É a terra histórica da religião. Existem comunidades em cidades como Yazd, Kerman e Teerã. Apesar de sua longa história no país, os zoroastristas constituem hoje uma minoria religiosa pequena.
2. Índia
É o outro grande centro da tradição. Os chamados parsis são descendentes de grupos zoroastristas que migraram da Pérsia para a Índia após a conquista árabe. Mumbai é um dos principais centros dessa comunidade.
3. Diáspora internacional
Há comunidades no Reino Unido, nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e em outros países. Elas incluem tanto descendentes de parsis quanto famílias de origem iraniana.
Os números exatos variam conforme a fonte e o critério utilizado, mas uma estimativa publicada pela British Academy em 2016 apontava cerca de 130 mil zoroastristas no mundo. É uma referência histórica, não um censo atualizado.
E qual é a relação de Zaratustra com Nietzsche?
Aqui existe uma curiosidade filosófica que vale a pena conhecer.
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche escolheu Zaratustra como protagonista de seu livro Assim falou Zaratustra (Also sprach Zarathustra, 1883–1885).
Nietzsche não pretendia simplesmente apresentar a religião zoroastrista. Escolheu uma figura associada à distinção entre bem e mal para construir uma obra que questiona justamente os valores morais tradicionais e a maneira como os seres humanos atribuem sentido à existência.
Seu Zaratustra é um personagem literário e filosófico: desce da montanha para ensinar aos seres humanos, anuncia o além-do-homem (Übermensch) e enfrenta a questão da superação dos valores herdados.
A escolha é sugestiva: Nietzsche entrega a palavra a uma figura tradicionalmente associada à oposição entre o bem e o mal para questionar a própria origem e o valor dessa oposição. É uma chave de leitura possível para o livro, embora não esgote suas intenções.
E há uma diferença fundamental: o Zaratustra histórico pertence a uma tradição religiosa antiga; o de Nietzsche é uma criação filosófica que se apropria desse nome e o transforma.